Por Jorge Bem Amado
Os subalternos não podem falar. Um a um são taxados, criando-se um grande jogo, parafraseando Edmund Leach, chamo de coleção de borboletas azuis deformadas. Não se pensa por que elas não conseguem voar, nem sequer por que são borboletas. A única coisa que eles fazem é classificar. Um barbudo é chamado de cristão-comunista. Um índio de populista, e assim por diante.
Porque não são populistas Silvio Berlusconi e Nicolas Sarkozy? Por que somente nós somos os deformados? Por que colocar Che Guevara e Salvador Allende no mesmo balaio que Josef Stalin e Nicolae Ceausescu? O que nós fizemos para que sejamos tão culpados pelos crimes ocorridos no Leste Europeu? E se foi o comunismo em si que praticou tal barbaridade, por que o capitalismo não é responsabilizado pelos acontecimentos que se passaram em Auschwitz?
A Europa inventou e matou o comunismo. Mas só o seu comunismo e não o nosso. Porque nós, latino-americanos seguimos o rumo de nossa própria história. Nela, esses “padres comunistas”, esses “barbudos”, essas mulheres indígenas, lutaram contra as injustiças, a favor da liberdade, com e para o nosso povo. Se querem nos chamar de atrasados, de primitivos que o façam. Mas não o façam com esse ar de intelectualidade. Não o façam se julgando imparciais e coretos. Façam assumindo que são metropolitanos ou colonizados!
O que eu quis escrever aqui não é nossa defesa. Nós não precisamos nos defender desse tipo de ataques, pois continuamos a caminhar com nossas próprias pernas. Várias vidas estão sendo dedicadas às nossas lutas nesse momento. Faço aqui uma simples denúncia. Que enquanto se escreve os livros, artigos, dissertações e teses nos diminuindo, nós estamos lutando, sendo atacados de todos os lados. Por matérias tendenciosas, por juízes corruptos, pelos assassinos, pistoleiros ou policiais. E a academia tem a sua parte de culpa, na medida em que calam as nossas vozes, nos classificam e nos incriminam. Citando o poeta Fernando Pessoa, “Arre, estou farto de semi-deuses! Onde é que há gente nesse mundo?”. E hasta la victoria, siempre!

.como diz nosso tom zé: temos que sair do bate-estaca da escola!! valeu, galera!!
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