sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fé, culé e mulé

Por Mama África


Passei minha vida inteira acreditando na perfeição.
E a perfeição, nesse caso era a pureza de sentimentos. Então devia, assim como na oração de São Francisco, consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado, pois é dando que se recebe.
Nada disso está errado, e agora já é tarde para deixar de ser cristão. Cristão, claro, na essência libertadora do termo, o que não tem semelhança alguma com a figura nefasta do Cardeal Joseph Ratzinger.
Mas o amor e a amizade são também um martírio.  Às vezes, quando confundidas, podem até se transformar em penitência.
Ainda mirando no caso de São Francisco, o que importa mais do que qualquer clichê católico é se espelhar em sua atitude mesmo quando todos o chamaram de louco.
E eu errei muito nessa vida. Mas nunca deixei de ter sinceridade em meus atos completamente insanos. Sou eu aquele marujo que rema o barco afundando. Sou eu o pescador que passou três dias a espera de seu alimento. Sou eu a puta que voltou pra casa sem dinheiro. Sou eu o padre sem fiel.
E vamos a luta em busca dessa perfeição quase-impossível. Seja atrás de Deus, de Marx  ou das mulé.


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