Por Jorge Bem Amado
Como se começa uma história de amor em Coimbra?
Certamente não é às 7 e meia da manhã, a não ser que você esteja nas escadas do NL.
Mas por acaso, essa se inicia nesse horário, e, além disso, num Domingo! Ela bateu em minha porta descalça, desesperada por que não conseguia mais entrar em casa.
Meu ímpeto de macho foi logo dizendo – vou pegar um martelo e uma chave de fenda e arrombar a fechadura.
Mas pah, óbvio que não. Tínhamos que chamar a polícia, os bombeiros, o proprietário do imóvel, os amigos…
E quando já era meio dia, e tudo estava resolvido, a idéia de tomar uma cerveja na beira do Mondego para comemorar foi praticamente como saldar o milagre da Rainha Santa.
Mas ai, bebemos, brigamos e choramos. E dizemos verdades um pro outro que não estávamos nem um pouco preparados.
Bem, só preciso dizer que essa história acaba sem o “felizes para sempre”, se é que isso existe.
Ela acaba com um buque de flores, com o Jardim das Sereias, com um “não” e com uma despedida desconcertada em frente à Praça da República.
E a pergunta que não sai da minha cabeça: é possível amar sem parecer um idiota?

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