quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tudo isto é Fado!

Por Gajo de Alfama


O fado quase sempre é uma música triste. Mas se o fado é a música portuguesa por excelência, podemos imaginar, então, que Portugal é um país triste?
Bem, se assim o fosse, chamaríamos também o Brasil de triste, pois me lembro de várias músicas de Roberto Carlos, Luis Gonzaga, Cartola e Chico Buarque que – como diria meu tio Lulu – parecem um exame de próstata. Te tocam lá no fundo!
Então se os determinismos biológicos, geográficos, climáticos não podem ser levados em consideração, por que, agora, iríamos adotar um determinismo musical.
Mas sim, é claro que o fado é uma música triste. E  também intensa.
E não posso dizer que Portugal é um país triste, pois o que aprendi sobre tristeza no Brasil não tem muita relação com falta de sorrisos e bom dias no meio da rua, mas com fome, miséria, desigualdade e violência.
É perceptível, no entanto, que Portugal tem um ar  melancólico.
Entretanto, melancolia e tristeza não são  a mesma coisa.
De toda forma, para entender Portugal, precisa-se entender também de fado.
E o que é fado, afinal?
Bem… ninguém melhor do que Amália para nos responder:

Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora
Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado
Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Não me fales só de amor
Fala-me também do fado
E o fado é o meu castigo
Só nasceu pra me perder
O fado é tudo o que digo
Mais o que eu não sei dizer





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