segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Coimbra = Encontros e Desencontros

Por Coração Vagabundo

foto de M.O.

Aurora

10 horas da manhã o trem chega à estação de Coimbra-B vindo do Porto.
Uma menina atrapalhada com duas malas grandes se mostra confusa, mesmo sendo orientada por uma simpática senhora. Olhos se encontram e a solidariedade interessada surge em carregar e descarregar malas.
Chega do centro mas com jeito do leste, olhos verdes claros com pupilas castanhas e sorriso fácil.
Fala alto um português abrasileirado com sotaque eslavo.
Verdadeiramente encantadora.
Puxa uma caderneta da qual tira uma folha impressa com um endereço.
Me penitencio por não trazer um mapa da cidade na cabeça e busco informações com alguém de uniforme qualquer.
Deixo-a num taxi com informações de contato e promessas de amores no olhar.
Escreve-me e jantamos numa cantina.
Muitos risos, rubores e beijo.
Diz que ainda não, seu jeito não é o meu. Isto rindo... sem julgamentos traumáticos.
Encontramo-nos logo na manhã seguinte, dia claro e cores vivas de inverno.
Bom passeio, almoço, muitos risos, leveza permanente...
Chegamos no meu canto: aquecedor ligado e a quentura se faz.

 Crepúsculo

Há uma semana que não conseguia nada sem pensar nela depois de vê-la se iluminar numa tarde de verão no Jardim da Sereia.
Vendo-me tremendo impactado por sua presença, me diz com sotaque italiano que irá morar com alguém de sua terra na Inglaterra.
Prostado, sem alternativas, peço para estar a seu lado em sua última semana antes ir embora. Caridosa, permite.
Identificações se revelam em cascata e sua resistência parece cada vez mais fraca.
Respeitando acordos para mim cruéis permanece no não. Despede-se e chego em casa destruído, afundo-me no escuro do quarto e extravaso em lágrimas.
Quando num repente ouço batidas na porta. Abro-a e ela descalça e ofegante pula e me dá um beijo arrebatado que me faz flutuar por não sei quanto tempo, após o que me larga e se vai deixando-me tonto e ausente de mim.
Chegando onde ia encontrar meu algoz me diz que não consegue estar mais com ele e foge de sua casa para seu país...
Quando autoriza, sem pensar, compro uma passagem para a cidade eterna, que ela promete me mostrar de uma forma única.
Mas não era para ser... seu avô adoece e ela marcha à ponta da bota italiana para dele cuidar. Afirmando-me tragicamente mudo a passagem para Barcelona e parto errante buscando no sol cores para compor o vazio do quase até hoje presente já como uma doce lembrança... 


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