Por Gajo de Alfama
A primeira vez em que senti um frio na barriga foi no dia 24 de Junho de 1990. Uma sensação de soco no estômago, como se a tristeza tivesse entrado pelo umbigo e, igual a um ópio maldito, se espalhasse pelo resto das minhas entranhas.
Precisamente, isso ocorreu no momento em que Diego Armando Maradona pega uma bola no meio de campo, passa por quatro defensores brasileiros e toca para Cláudio Caniggia driblar Taffarel e marcar 1 a 0 Argentina.
Depois teve bola na trave de Careca, a água batizada de Branco, o Amarelinho chorando… uma verdadeira tragédia nacional.
Esse sentimento intenso e súbito de tristeza, que se parece com chupar limão azedo, me acompanhou durante vários momentos da minha vida. Alguns mais, outros menos tristes que os eventos daquela fatídica tarde de sol no Estádio Delle Alpi.
Hoje, com cinco Copas do Mundo a mais, lembro do que uma menina, certa vez, me disse: “há muita beleza na tristeza”.
E algo nessa frase me faz recordar de Zinedine Zidane.
Ele, o maior carrasco do Brasil de todos os tempos, nosso carrasco de duas Copas do Mundo. E que fazia o futebol parecer uma arte, uma dança, um balé clássico, uma ópera.
Que transformava a tristeza numa poesia de beleza indescritível.
Zizu, o fadista!

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